Huawei dispara na corrida dos dobráveis e mira Apple e Xiaomi com o Mate XT2

A Huawei abriu a semana mais disputada do calendário tech chinês lançando, nesta segunda-feira (7), a nova geração do seu smartphone de três dobras, o Mate XT2 — um movimento calculado para reforçar sua posição no mercado premium justamente no momento em que Xiaomi e Apple preparam seus próprios golpes de efeito.



Um "canivete suíço" que vira tablet

O grande atrativo do aparelho continua sendo o mecanismo que permite abri-lo duas vezes, transformando um smartphone comum em uma tela do tamanho de um tablet de 10,2 polegadas. Em relação ao modelo anterior, lançado há dois anos, a Huawei prometeu uma dobradiça redesenhada, maior resistência à água e um filtro de privacidade que impede que pessoas ao lado enxerguem o conteúdo da tela.

No coração do aparelho está o Kirin 9050 Pro, chip que marca o retorno da Huawei aos processadores de ponta seis anos depois de a empresa ter sido alvo de restrições dos Estados Unidos ao acesso a tecnologia de semicondutores avançada. Segundo a companhia, o novo processador entrega até 42% mais desempenho que a geração anterior, com menor consumo de energia — resultado de uma arquitetura batida de "dobra lógica em camadas", batizada de LogicFolding, parte de um princípio mais amplo que a empresa chamou de "Lei de Escala de Tau", apresentado em maio.

Preço reflete escassez de memória


O modelo de entrada, equipado com 16 GB de memória RAM e 256 GB de armazenamento, sai por 19.999 iuanes (cerca de R$ 15.280), enquanto a versão mais robusta chega a 24.999 iuanes (aproximadamente R$ 19.100) — um aumento de cerca de 10% frente ao Mate XT original. Richard Yu, à frente da divisão de consumo da Huawei, atribuiu o reajuste à alta expressiva no custo dos chips de memória, um problema que vem pressionando toda a indústria de smartphones.

As vendas começam no dia 12 de setembro.

Concorrência não dá trégua

A resposta da Xiaomi veio horas depois, com o lançamento do Xiaomi 18 Fold, um modelo de conceito "mid-fold" que parte de 10.999 iuanes — quase metade do preço do rival da Huawei. O aparelho amplia a disputa por um mercado que, até pouco tempo atrás, era dominado pela sul-coreana Samsung, líder global em dobráveis, mas que recuou de sua própria aposta em modelos de três dobras após apenas três meses de vendas.

O verdadeiro teste, porém, vem na quarta-feira (9), quando a Apple deve realizar seu evento de outono. A expectativa do mercado é que a empresa finalmente estreie no segmento com um iPhone dobrável — batizado nos rumores de "iPhone Ultra" — ao lado da nova linha iPhone 18 Pro, equipada com o inédito chip A20 Pro.

Pano de fundo geopolítico

O lançamento também tem um componente simbólico: a Huawei segue banida do mercado americano, classificada por Washington como risco à segurança nacional. Isso torna o desempenho do Mate XT2 na China ainda mais relevante como vitrine da capacidade tecnológica chinesa em meio às restrições impostas pelos EUA — e explica por que a empresa fez questão de destacar publicamente os ganhos de eficiência do novo chip antes mesmo do lançamento oficial.

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