Basta a Apple mexer em qualquer produto para a internet dividir os torcedores em dois times. Com o iPhone Duo, o primeiro dobrável da empresa, não foi diferente. De um lado, quem enxerga um produto caro demais, fadado a virar curiosidade de vitrine. Do outro, quem acha que a marca da maçã sempre encontra quem pague. Olhando os números disponíveis, a resposta fica mais interessante que o "vai flopar" das redes.
Um dobrável que chega tarde, mas chega com força
A Samsung domina esse mercado desde 2019, e a Apple ficou sete anos de fora. Para quem entra atrasado, o Duo vem com argumentos técnicos sérios: tela interna de 7,6 polegadas, tela externa de 5,4 e o chip A20 Pro. Mas nem tudo agrada. O aparelho pesa 254 gramas, contra 201 g do Galaxy Z Fold8. E o Face ID deu lugar ao Touch ID em um botão lateral. São concessões que uma marca premium precisa explicar bem.
O preço: o problema mora aqui
Nos Estados Unidos, o Duo custa a partir de US$ 1.999, valor que fica perto dos US$ 1.899 pedidos por Galaxy Z Fold 8 e Pixel 11 Pro Fold. Ou seja, lá fora, ele não é uma anomalia de preço.
ANTI/HYPE
No Brasil, a conta é outra: os valores vão de R$ 21.999 a R$ 30.999. Isso é cerca de 2,1 vezes o preço americano convertido, sem impostos. A pré-venda abre em 16 de outubro e as lojas recebem o aparelho em 23 de outubro.
iPhone Duo: quando começa pré-venda do iPhone que abre e fecha? +2
Para os analistas, o preço limita o alcance. Bob O'Donnell, da TECHnalysis Research, acredita que o valor afasta principalmente o público mais jovem, mas que os fiéis da Apple sustentam o início das vendas. Já Neil Shah, da Counterpoint, questionou para quem o aparelho foi pensado: trabalho ou lazer?
O que os números projetam
Ainda não há vendas reais para analisar, apenas estimativas. Elas apontam para uma estreia forte:
A TrendForce calcula cerca de 5 milhões de unidades em 2026, o que daria à Apple 24,8% de um mercado de 20,2 milhões de dobráveis.
Shah, da Counterpoint, aposta em perto de 6 milhões até o fim do ano.
A Counterpoint também projeta alta de 37% no segmento em 2027.
Só que é preciso manter a perspectiva. Cinco milhões de Duos representam apenas 6,2% dos 81,3 milhões de iPhones vendidos no quarto trimestre de 2025. E a IDC estima que dobráveis ficarão abaixo de 3% do mercado global em 2026. Traduzindo: o Duo pode brilhar dentro do nicho e, ainda assim, ter peso pequeno no balanço da Apple.
O risco pode ser faltar produto
Uma pista contra a tese do fracasso vem da fábrica. O analista Jeff Pu reduziu a previsão de produção de 7 para 6 milhões de unidades, apontando a dobradiça como gargalo, sem citar falta de interesse do público. Se a oferta for menor que a procura, o resultado tende a ser fila e prazo de entrega longo, o oposto de um flop. O'Donnell chegou a prever que o Duo será um símbolo de status, justamente por ser difícil de conseguir.
Os pontos de alerta
Nem tudo é otimismo. As ações da Apple recuaram 1,4% no dia do anúncio, sinal de que o mercado esperava algo assim e não se empolgou. E a comparação com o Vision Pro, de 2023, apareceu na cobertura: tecnologia elogiada, preço alto e uso pouco claro. A crítica especializada também ficou dividida entre quem viu ali uma obra de engenharia com limitações de primeira geração e quem declarou que a Apple acertou em cheio.
Então, vai flopar?
Se "flopar" significa encalhar nas prateleiras, os dados dizem que é pouco provável em 2026. Há demanda acumulada, produção limitada e projeções na casa dos milhões. Se a pergunta for se o Duo vira um produto de massa, a resposta muda, principalmente no Brasil, onde o preço parte de R$ 21.999.
Meu palpite: o Duo tende a ser um sucesso de imagem e de nicho, e o teste de fogo vem depois. Mark Gurman, da Bloomberg, prevê versões futuras como Duo Max, Duo mini e Duo SE. Se a Apple baixar o preço, o dobrável pode virar mais que curiosidade. Até lá, vale acompanhar os prazos de entrega depois de 16 de outubro. Eles vão dizer mais que qualquer previsão.