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Depois de anos entre expectativa, um ataque hacker que vazou parte do desenvolvimento e um silêncio que só quebrou de vez em 2026, Marvel's Wolverine finalmente teve o embargo de reviews derrubado nesta quinta-feira (10), cinco dias antes de chegar às lojas digitais. E o resultado da recepção é, no mínimo, dividido: média de 77-78 pontos no Metacritic, bem abaixo dos 90 pontos conquistados por Marvel's Spider-Man 2 em 2023.
Na minha visão, isso não é motivo para pânico, mas também não pode ser ignorado.
O que parece ter dado certo
O ponto mais elogiado entre a crítica especializada é justamente o que os fãs mais pediam: um Logan mais sombrio, brutal e adulto, bem distante do tom family-friendly do Homem-Aranha. A Insomniac parece ter entendido que reduzir Wolverine a "só um cara rabugento com garras" seria um desperdício de personagem, e a ambientação pré-X-Men, com a Equipe X enfrentando uma milícia anti-mutantes financiada por Bolívar Trask, dá um contexto interessante para introduzir esse universo compartilhado nos games da Marvel.
A qualidade técnica esperada de um AAA da Sony também aparece — e o combate, quando funciona, é descrito como visceral e satisfatório.
Onde o jogo tropeça
O problema, segundo boa parte das análises, não é que Wolverine seja ruim — é que ele não vai além do óbvio. As críticas mais recorrentes giram em torno de:
- Combate repetitivo, com pouca variedade de combos e uma árvore de habilidades que não muda muito a experiência ao longo da campanha;
- Exploração rasa, em áreas que mais "empurram" o jogador para frente do que recompensam quem quer explorar;
- Linearidade excessiva, distante da liberdade que Spider-Man oferecia balançando por Nova York;
- Campanha curta, com relatos de platina em cerca de 16 horas;
- QTEs (eventos de tempo rápido) supérfluos, que em alguns casos são "aprovados" mesmo quando o jogador erra o comando.
Opinião
Pelo que os reviews mostram até agora, Marvel's Wolverine parece ser exatamente aquele jogo que entrega o básico muito bem feito, mas fica devendo a ambição. Depois do tamanho do salto que foi Spider-Man 2, é meio inevitável comparar os dois — e a Insomniac, dessa vez, parece ter jogado mais seguro do que deveria, especialmente considerando anos de desenvolvimento e o peso de ser o pontapé inicial de uma trilogia de X-Men.
Ainda assim, "board abaixo do esperado" não é sinônimo de jogo ruim. Para quem nunca teve contato com os jogos da Insomniac, ou simplesmente quer viver a fantasia de ser o Wolverine mais violento já visto em um game, a experiência tende a entregar. Só talvez não pelo preço cheio — e sim numa promoção mais na frente.