Uma disputa judicial sobre o legado da marca Twitter teve um novo capítulo na última semana. Em 3 de setembro de 2026, o juiz federal Colm F. Connolly, da Corte Distrital de Delaware, concedeu à X Corp., de Elon Musk, uma liminar (preliminary injunction) proibindo a startup Operation Bluebird de usar o nome "Twitter" para lançar uma rede social concorrente. Ao mesmo tempo, porém, o próprio juiz decidiu que a X havia provavelmente abandonado os direitos sobre a palavra "tweet" e sobre o antigo logotipo do passarinho azul — liberando esses dois ativos para uso da startup.
Como tudo começou
Em 2022, Musk comprou o Twitter por cerca de US$ 44 bilhões e, no ano seguinte, rebatizou a plataforma como X, eliminando gradualmente o logotipo do pássaro e termos como "tweet" e "retweet" da marca. Na época, Musk chegou a declarar publicamente que a empresa logo diria "adeus à marca Twitter e, aos poucos, a todos os pássaros".
A Operation Bluebird, startup sediada na Virgínia e liderada pelo advogado de marcas Michael Peroff e pelo presidente/conselheiro-geral Stephen Coates (ex-advogado de marcas do próprio Twitter), interpretou essas declarações como abandono formal da marca. Em dezembro de 2025, a empresa entrou com um pedido no USPTO (escritório de marcas e patentes dos EUA) para cancelar os registros de "Twitter" e "Tweet", alegando que a X havia deixado de usá-los comercialmente.
A X reagiu rapidamente com uma contraprocesso, afirmando que "o Twitter nunca foi embora e continua sendo de propriedade exclusiva da X Corp.", e chegou a atualizar seus termos de serviço para reforçar a reivindicação da marca.
A decisão do tribunal
Depois de meses de disputa, o juiz Connolly emitiu uma decisão dividida:
- A favor da X: o tribunal concedeu a liminar bloqueando o uso do nome "Twitter" (e de outras oito marcas relacionadas) pela Operation Bluebird. Um argumento decisivo foi a constatação de que o próprio aplicativo X, na App Store da Apple, ainda se apresenta com a frase "Welcome to X (formerly known as Twitter)" — evidência de que a X continua se beneficiando comercialmente do reconhecimento da marca antiga, o que tornaria provável a confusão do consumidor.
- A favor da Operation Bluebird: o juiz considerou que a startup tem boas chances de provar que a X abandonou as marcas "Tweet" e o logotipo do pássaro, citando como prova as próprias declarações públicas de Musk sobre "cortar o logo do Twitter do prédio com maçarico" e "dizer adeus... a todos os pássaros".
Para manter a liminar em vigor, a X precisou depositar uma caução de US$ 500 mil. A decisão é preliminar — o processo (X Corp. v. Operation Bluebird) segue em andamento e ainda terá um julgamento de mérito.
A resposta imediata: nasce o "Tweet.app"
Impedida de usar "Twitter", a Operation Bluebird não perdeu tempo: aproveitando a brecha aberta pela decisão sobre a palavra "tweet", a startup renomeou seu site e aplicativo, que operava sob o nome Twitter.now, para Tweet.app, mantendo o projeto no ar. A empresa afirma que seu diferencial é um mecanismo de verificação de conteúdo chamado VERA, voltado a dar ao usuário mais controle sobre o que vê na plataforma.
Cronologia resumida
| Data | Evento |
|---|---|
| 2022 | Musk compra o Twitter por ~US$ 44 bilhões |
| 2023 | Rebatização da plataforma como X; remoção gradual da marca Twitter |
| Dez/2025 | Operation Bluebird pede ao USPTO o cancelamento das marcas "Twitter" e "Tweet"; X entra com contraprocesso |
| Abr/2026 | Juiz sinaliza, em audiência, que a X pode ter abandonado "tweet" e o logo do pássaro |
| Ago/2026 | Operation Bluebird lança publicamente o Twitter.now |
| 3/set/2026 | Decisão final da liminar: proibido usar "Twitter"; liberado usar "Tweet" e o logo do pássaro |
| Set/2026 | Startup renomeia o serviço para Tweet.app |
O que vem a seguir
A disputa ainda não terminou: trata-se de uma liminar, não de uma sentença final, e o mérito do caso — incluindo a questão de fundo sobre se a X realmente abandonou as marcas — ainda será julgado. O caso é visto como um precedente relevante sobre até que ponto declarações públicas e mudanças de marca podem configurar abandono de direitos de propriedade intelectual nos Estados Unidos.