O projeto que prometia trazer de volta a experiência do antigo Twitter ganhou um capítulo novo. A startup Operation Bluebird mudou o endereço da plataforma de "twitter.now" para tweet.app, e a novidade mais importante é jurídica: em 3 de setembro de 2026, um tribunal federal americano negou o pedido da X Corp. para impedir o uso do nome "Tweet" e do logo do passarinho, entendendo que a empresa tem chances reais de provar que Elon Musk abandonou essas marcas ao rebatizar a rede para X.
O que a decisão judicial realmente diz
Vale destacar que o resultado não foi uma vitória completa para nenhum dos lados:
- O tribunal concedeu a liminar da X Corp. em relação às marcas com a palavra "Twitter" — ou seja, a Operation Bluebird não pode usar esse termo específico enquanto o processo corre;
- Mas negou o pedido no que diz respeito à marca "Tweet" e ao logo do pássaro, liberando a empresa para seguir usando os dois.
Foi justamente esse detalhe que deu nome ao novo endereço: já que "Tweet" seguiu liberado, a plataforma adotou o domínio tweet.app.
Como funciona a plataforma
O discurso central do projeto é resolver o que a empresa chama de "problema de confiança" da internet — a dificuldade crescente de saber se uma foto, uma conta ou um número de engajamento são reais. A proposta de solução se chama VERA, um sistema (ainda não lançado) que vai atribuir uma pontuação de confiança a cada publicação, com fontes clicáveis explicando o porquê da nota.
O diferencial declarado é que, ao contrário de moderação tradicional, nada seria banido ou apagado. Em vez disso, cada usuário controla um "Trust Dial" (disco de confiança) pessoal: quem quiser só ver conteúdo mais confiável aumenta o filtro; quem quiser ver tudo, inclusive o que teria nota baixa, pode zerar o filtro. A ideia, nas palavras da própria empresa, é praticar "liberdade de expressão, não liberdade de alcance" — mentiras perderiam o megafone, mas não a voz.
É importante frisar: segundo o próprio site, esse sistema de pontuação ainda não está no ar. Por enquanto, o que existe é o cadastro, a reserva de nome de usuário e a promessa de que os recursos de confiança "chegam junto com a plataforma".
Pagar para entrar: três níveis de acesso antecipado
Assim como no lançamento anterior, o acesso não é gratuito. Há três camadas de adesão:
| Nível | Valor | O que inclui |
|---|---|---|
| Founder | US$ 20 | Entrada antes do público, número de fundador (#00001 em diante) e emblema exclusivo |
| Fighter | US$ 40 | Tudo do Founder + emblema de "lutador" |
| Centurion | US$ 100 | Tudo do Founder + selo de liderança, o nível mais raro dos três |
A empresa justifica a cobrança como forma de financiar o desenvolvimento, bancar a disputa judicial e, principalmente, dificultar a criação em massa de contas de bots — algo que, segundo a startup, "o modelo gratuito nunca conseguiu resolver".
E quem já tinha se cadastrado antes?
Segundo o FAQ do próprio site, quem já havia entrado na lista de espera quando a plataforma ainda se chamava "twitter.now" não perde nada: nome de usuário, número de fundador e posição na fila permanecem os mesmos — só o nome na porta mudou.
Ainda não afiliada ao X
O site reforça, tanto no rodapé quanto nas perguntas frequentes, que a Operation Bluebird não tem e nunca teve qualquer vínculo com a X Corp., de Elon Musk. A disputa pelas marcas, porém, ainda não chegou ao fim — o caso segue para julgamento, e o próprio site disponibiliza a decisão judicial na íntegra, com anotações explicando os termos em linguagem simples.