O canal testou o fenômeno com um LG UltraGear 34GX900A-B, monitor gamer de cerca de 1.200 dólares. Bastou conectar o aparelho a um Windows 11 recém-instalado: o sistema baixou automaticamente os pacotes de extensão e componentes de software da LG e, cerca de um minuto depois, instalou sozinho — sem nenhuma tela de consentimento ou pedido de autorização — um aplicativo chamado LG Monitor App Installer. Em 32 inicializações consecutivas do sistema, o programa exibiu um anúncio promovendo um teste gratuito do antivírus McAfee em 31 delas, que depois se converte automaticamente em assinatura paga. O problema não ficou restrito a monitores recém-comprados: a Gamers Nexus também reproduziu o comportamento em um LG UltraFine 32UN880-B adquirido três anos antes.

O mecanismo por trás disso já existia no Windows havia tempo e é conhecido como Windows Device Setup Manager: sempre que um periférico compatível — monitor, impressora, mouse — é conectado, o sistema compara os metadados do aparelho com um catálogo da Microsoft Store e baixa automaticamente o aplicativo correspondente do fabricante, sem exibir aviso. A funcionalidade foi criada para entregar drivers e utilitários de forma prática, mas, no caso da LG, acabou servindo de porta de entrada para material promocional de terceiros.

Outro ponto que alimentou as críticas foi encontrado na própria listagem do aplicativo na Microsoft Store: o LG Monitor App Installer aparecia com permissões para acessar a internet e usar todos os recursos do sistema — um nível de acesso considerado excessivo para um simples instalador de monitor.

Procurada pela imprensa, a LG negou que o McAfee seja instalado automaticamente, afirmando que o antivírus aparece apenas como uma opção comercial dentro do instalador e que só é de fato instalado se o usuário optar ativamente por isso. A empresa reforçou que, em nenhuma circunstância, o McAfee é ativado sem consentimento explícito — o ponto contestado pelas investigações, porém, sempre foi a instalação silenciosa do próprio instalador, e não do antivírus em si.

Diante da repercussão, a Microsoft confirmou que interveio junto à LG, e a fabricante concordou em remover o pop-up promocional do McAfee. Mesmo assim, seguem as dúvidas sobre as permissões amplas do aplicativo e sobre o comportamento discreto de toda a cadeia de instalação, que continua ativa por padrão para quem não desativa manualmente as "Configurações Recomendadas" do Windows Update.

O problema não é só a LG — é um recurso do Windows aberto demais

O que mais me incomoda nesse caso não é exatamente a LG tentar empurrar uma parceria comercial com a McAfee — prática antiga e comum entre fabricantes de hardware. O problema real é a arquitetura do próprio Windows permitir esse tipo de instalação silenciosa por padrão. Um sistema operacional que baixa e executa aplicativos de terceiros automaticamente, sem qualquer tela de confirmação, é um convite explícito para esse tipo de abuso — não é surpresa que uma empresa tenha decidido aproveitar essa brecha para empurrar publicidade.

Também vejo como preocupante a forma como a LG se defendeu. Focar tecnicamente na frase "o McAfee nunca é instalado sem consentimento" é uma resposta que ignora — talvez propositalmente — a real reclamação dos usuários, que é sobre o instalador em si chegar sem aviso algum. É o tipo de defesa que tecnicamente pode até ser verdadeira, mas que se desvia completamente do ponto que gerou a indignação.

Por fim, a solução paliativa acordada com a Microsoft — remover só o anúncio do McAfee — resolve o sintoma mais visível, mas não a causa. O aplicativo continua chegando sem consentimento, com as mesmas permissões amplas de sistema. Fica a lição prática: depois de configurar um Windows novo ou conectar qualquer periférico de marca reconhecida, vale a pena checar manualmente o Histórico de Confiabilidade do Windows e revisar os programas instalados — porque, como esse caso mostrou, "recomendado" no Windows Update nem sempre significa "necessário", nem "pedido pelo usuário".


Baseado em reportagens do Windows Latest, TweakTown, Tecnoblog, Adrenaline e Tek Notícias, com investigação original do canal Gamers Nexus.