Lançado com o objetivo de facilitar a aquisição de veículos para motoristas autônomos, o programa Move Brasil enfrenta entraves no setor bancário. Mesmo contando com a garantia do fundo governamental do BNDES, instituições financeiras continuam aplicando exigências do crédito tradicional, dificultando a liberação dos financiamentos para a categoria.
Trabalhadores relatam que, apesar de faturarem alto e arcarem mensalmente com aluguéis caros de automóveis, são barrados na análise de risco por restrições cadastrais ou exigência de entradas elevadas.
Pesquisa Revela as Principais Barreiras no Financiamento
Um levantamento realizado pela Fenasmapp (Federação Nacional dos Sindicatos de Motoristas de Aplicativos) com mais de 1,5 mil motoristas detalhou quais são os maiores obstáculos impostos pelas instituições financeiras:
Análise de crédito rígida (46,1%): Os bancos avaliam as propostas como empréstimos comuns, sem levar em conta a garantia oferecida pelo governo federal.
Falhas de integração operacional (23,5%): Dificuldades de comunicação do sistema bancário com o BNDES.
Exigência de entradas elevadas (19,5%): Valores exigidos superam o orçamento inicial dos trabalhadores.
Critérios internos e histórico (9,8%): Barreiras burocráticas próprias de cada instituição e restrições no nome do cliente.
Muitos condutores pagam entre R$ 3.500 e R$ 6.000 por mês no aluguel de carros, comprovando capacidade de pagamento, mas não conseguem a aprovação para comprar o próprio veículo.
O Posicionamento dos Bancos e do Governo
A reação das instituições financeiras tem sido cautelosa:
Santander, Banco Stellantis e GM Financial alegam que a existência de garantia do governo (como o FGI PEAC) atenua o risco, mas não elimina a necessidade de análise de crédito e verificação da elegibilidade do cliente.
Itaú e Bradesco optaram por não aderir à linha de crédito do Move Brasil até o momento.
Mobilize Financial (Grupo Renault) deu início às operações recentemente, informando que a liberação depende dos prazos do BNDES.
Diante do impasse, o governo estuda medidas para destravar os recursos. O presidente da República orientou a articulação com os ministérios competentes para reavaliar as exigências. Por sua vez, a presidência do BNDES orienta que os motoristas com restrições financeiras busquem renegociar suas dívidas por meio de programas de renegociação do Governo Federal antes de solicitar o financiamento do veículo.