O Move Aplicativos, nova linha de crédito para financiar carros com juros mais baixos para motoristas de aplicativo e taxistas, alcançou R$ 2,2 bilhões em financiamentos aprovados, segundo balanço divulgado nesta sexta-feira (31) pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES).
O programa financiou veículos novos para 21.720 profissionais em todo o país. O valor médio dos financiamentos contratados foi de R$ 102 mil por motorista.
Apesar dos R$ 2,2 bilhões já financiados, o valor representa apenas 7,3% dos R$ 30 bilhões previstos para o programa.
Mercadante argumentou que o programa é novo e que seria um desafio para o sistema financeiro. "Estamos adotando melhorias que estão nos permitindo avançar no ritmo de aprovações", disse o presidente do BNDES.
Segundo o presidente do BNDES, nenhuma operação teve falta de fundo garantidor. "O objetivo do programa é chegar ao maior número de veículos possíveis", explicou Mercadante.
Especialistas ouvidos pelo g1 argumentam que existe dificuldade dos motoristas em obter a aprovação do crédito. (veja mais abaixo)
O que é o Move Aplicativos
O programa foi anunciado em maio pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Os recursos da linha de crédito, de cerca de R$ 30 bilhões, são do Tesouro Nacional e repassados ao BNDES para viabilizar os financiamentos.
Podem participar:
- Taxistas devidamente registrados e ativos;
- Motoristas de aplicativo com cadastro ativo há pelo menos 12 meses, que tenham realizado ao menos 100 corridas nesse período, na mesma plataforma.
O carro também precisa atender aos seguintes critérios:
- Custar até R$ 150 mil;
- Ser flex, elétrico ou híbrido flex — modelos híbridos apenas a gasolina não entram no programa;
- Para carros usados, apenas modelos elétricos ou híbridos flex;
- Ser produzido por montadora habilitada no programa Mover.
As taxas de juros são de 12,6% ao ano para homens e 11,5% ao ano para mulheres. O prazo do financiamento pode chegar a 72 meses, com seis meses de carência.
Carros usados também participam do programa
Para estimular as vendas, a linha de financiamento com juros reduzidos também permite a compra dos usados. No entanto, os veículos seminovos não podem ser apenas flex. Eles precisam ser híbridos flex ou totalmente elétricos.
Há poucos carros com sistema híbrido flex disponíveis por menos de R$ 150 mil no mercado de seminovos, segundo o preço médio divulgado pela Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas (Fipe).
Nessa faixa, aparecem as versões híbridas de:
- Fiat Pulse: R$ 107.493;
- Fiat Fastback: R$ 117.746;
- Peugeot 2008 GT: R$ 146.415;
- Peugeot 208 GT: R$ 120.769.
Já os modelos elétricos são mais numerosos, e o preço médio apontado pela tabela Fipe é de:
- BYD Dolphin Mini: R$ 98.136;
- BYD Dolphin: R$ 118.540;
- GWM Ora 03: R$ 120.391;
- GAC Aion UT: R$ 128.790;
- Chevrolet Spark EUV: R$ 139.020;
- Geely EX2: R$ 113.882;
- Renault Kwid E-Tech: R$ 81.412.
Programa enfrenta barreira na aprovação do crédito
Mesmo com a injeção de R$ 30 bilhões para financiar a venda de veículos com juros inferiores à metade dos praticados no mercado, poucos carros foram financiados para motoristas de aplicativo e taxistas.
Mesmo com os R$ 2,2 bilhões já em financiamento, o montante representa apenas 7,3% do total reservado para garantir o financiamento dos veículos.
Segundo Claudio Garcia, gerente da BYD Mooca em São Paulo, o programa Move Aplicativos conseguiu trazer para a loja vários clientes. “Tivemos um aumento significativo de fluxo na loja nestas primeiras semanas do programa”, comenta o gerente.
Garcia diz que reconhece a iniciativa do governo, mas gostaria que os clientes tivessem o crédito aprovado com mais facilidade.
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