Durante o eclipse solar total que ocorreu em agosto de 2026, pesquisadores da NASA e de institutos parceiros utilizaram o avião de pesquisa de alta altitude WB-57F para coletar dados inéditos sobre a atmosfera externa do Sol. Operando a partir da Islândia, a tripulação sobrevoou o Oceano Atlântico Norte para posicionar a aeronave exatamente na rota da umbra criada pela Lua.
O objetivo principal da missão foi investigar um enigma astronômico de longa data: por que a coroa solar é drasticamente mais quente do que a própria superfície visível do Sol.
Estratégia de voo acima da atmosfera densa
Para contornar as limitações de observação a partir do solo — como cobertura de nuvens, vapor d'água e poeira —, a aeronave operou a cerca de 50.000 pés (aproximadamente 15,2 km) de altitude.
Essa posição estratégica garantiu vantagens técnicas fundamentais:
Captação de ondas infravermelhas: A altitude eliminou a interferência de camadas atmosféricas mais baixas que normalmente absorvem o espectro infravermelho.
Maximização do tempo na sombra: Ao voar acompanhando o deslocamento da sombra lunar sobre o oceano, o avião ampliou a janela de observação do eclipse total.
Trabalho em equipe e instrumentos precisos
A operação foi fruto de meses de planejamento entre engenheiros, cientistas e tripulação do Centro Espacial Johnson (Houston). A bordo do WB-57F, o piloto John Gustine foi o responsável por alinhar a rota com o trajeto do eclipse, enquanto o operador de sensores Cary Klemm gerenciou os sistemas de câmeras em tempo real, ajustando exposição e foco em cada segundo da totalidade.
De acordo com o cientista Amir Caspi, do Southwest Research Institute, o uso da plataforma aérea foi crucial para alcançar uma região onde o eclipse ocorreu majoritariamente sobre o oceano e sob frequente cobertura de nuvens, tornando as medições em solo inviáveis.
Impacto na ciência e no clima espacial
Os dados coletados sobre o plasma e o campo magnético da coroa solar ajudarão a comunidade científica a:
Compreender a dinâmica de transferência de matéria e energia no Sol.
Aprimorar modelos de previsão do clima espacial, que afeta satélites e redes de comunicação na Terra.
Entender processos de física de plasma que se repetem em outras estrelas do universo.