Se você já viu alguém reclamando de precisar "farmar" ouro, materiais ou experiência num jogo, já esbarrou em um dos termos mais antigos (e mais debatidos) da cultura gamer. "Farming" é o hábito de repetir a mesma ação — matar o mesmo inimigo, coletar o mesmo recurso, refazer a mesma missão — várias vezes seguidas até acumular o suficiente daquilo que se precisa para avançar.
De onde vem o termo
A analogia é literal: assim como um agricultor cultiva a terra com dedicação repetitiva esperando a colheita, o jogador "planta" horas de repetição para "colher" itens, moedas ou pontos de experiência. O termo caminha lado a lado com outro clássico do vocabulário gamer, o grinding — a diferença é sutil: grind costuma se referir mais à repetição para subir de nível ou evoluir habilidades, enquanto farm foca especificamente em acumular recursos ou itens específicos, geralmente raros.
Por que os jogos usam esse sistema
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Longe de ser só "preguiça de design", o farming cumpre um papel estratégico para os estúdios: ele estica a duração de um jogo, cria senso de progresso e, em títulos multiplayer, ajuda a equilibrar o ritmo entre jogadores casuais e hardcore. Se um chefe está difícil demais, farmar itens ou experiência é a alternativa a simplesmente abaixar a dificuldade — o jogador volta mais forte, sem precisar recomeçar a campanha do zero.
Alguns exemplos clássicos do gênero:
- RuneScape, que praticamente construiu sua identidade em torno da repetição de habilidades como mineração e combate;
- Diablo e Path of Exile, onde farmar chefes específicos em busca daquele item raro específico é parte central da experiência;
- Stardew Valley e Farming Simulator, que levam o conceito ao pé da letra, colocando o jogador literalmente no papel de um agricultor.
O lado problemático
Nem tudo são flores no mundo do farm. Quando mal balanceado, o sistema pode se tornar cansativo e afastar jogadores — é o famoso "grind excessivo" que transforma progresso em trabalho repetitivo sem graça. Esse desgaste também abre espaço para práticas polêmicas, como o uso de bots e scripts para automatizar a farmagem, prática banida na maioria dos jogos online, e para o mercado de pay-to-win, em que empresas vendem atalhos para quem não quer (ou não tem tempo) de farmar manualmente — comum em jogos com sistemas de gacha.
Por que o assunto sempre viraliza
É justamente esse equilíbrio delicado — entre progressão satisfatória e repetição cansativa — que faz "farming" voltar a ser assunto sempre que um jogo novo bomba. Toda vez que um título lança um evento limitado, um item raríssimo ou uma atualização que exige muita repetição para desbloquear algo cobiçado, a comunidade se divide entre quem defende o desafio e quem reclama do tempo necessário — e é aí que o termo dispara nas redes sociais, junto com memes, reclamações e guias de "como farmar mais rápido".