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Samsung e LG banem aplicativos que transformavam Smart TVs em proxies residenciais


A Samsung iniciou uma ofensiva contra aplicativos de suas Smart TVs flagrados repassando a conexão de internet dos donos dos aparelhos para terceiros desconhecidos, segundo reportagem publicada pelo TechCrunch nesta segunda-feira (3).

O movimento surgiu depois que a empresa de segurança Mnemonic descobriu que diversos apps populares na plataforma da fabricante continham código capaz de converter as televisões em nós de uma rede de proxy residencial — um esquema cada vez mais ligado a atividades criminosas online.

Esse tipo de proxy funciona redirecionando o tráfego de internet de outras pessoas por meio da conexão doméstica de um usuário comum. Embora tenha aplicações legítimas — como contornar restrições geográficas em serviços de streaming —, a técnica também é explorada para disfarçar ataques cibernéticos, fazendo com que o tráfego malicioso pareça vir de uma residência qualquer, e não de um invasor.

O jogo de Pac-Man que virou porta de entrada

Um dos casos mais chamativos envolveu um jogo de Pac-Man que a própria Samsung recomendava na seção "Escolha do Editor" de sua loja de apps. A investigação revelou que muitos desses programas são extremamente simples — poucas linhas de código, feitos apenas para puxar conteúdo hospedado em servidores externos.

Essa arquitetura torna a fiscalização mais difícil, já que a análise da loja avalia apenas o código armazenado localmente, sem enxergar o que é carregado remotamente depois. O consultor de segurança ofensiva da Mnemonic, Harrison Sand, comentou à TechCrunch que aquilo que passa pela revisão nem sempre corresponde ao que efetivamente roda no aparelho.

Sand identificou no jogo trechos de código da Bright Data, companhia israelense que comercializa acesso a redes de proxy residencial e também vende dados coletados através delas. De acordo com o especialista, esse código permanece inativo até que o usuário aceite uma tela de consentimento — normalmente camuflada como uma simples autorização de uso de dados do aparelho — e, a partir daí, opera em segundo plano continuamente, até que o app seja desinstalado.

Em resposta à reportagem, a Samsung informou que já bloqueou o cadastro de novos aplicativos com esse tipo de função e está mapeando os que já estão na loja para removê-los.

O problema também atinge a LG

A Samsung não é a única envolvida. Segundo apuração da coluna KrebsOnSecurity, baseada em dados da empresa de segurança Spur, o mesmo padrão de código apareceu em aplicativos para Smart TVs da LG.

O levantamento avaliou 6.038 aplicativos distribuídos nas plataformas webOS (LG) e Tizen (Samsung). Desse total, 2.058 revendiam o endereço de IP dos usuários, com código de proxy residencial escondido em jogos, protetores de tela e utilitários diversos. A proporção chegou a 42,5% dos apps analisados no catálogo da LG e 26,5% no da Samsung.

Diante do cenário, a LG anunciou que passará a suspender aplicativos que não eliminarem essa funcionalidade. O vice-presidente sênior da empresa, John Taylor, afirmou que esse uso não corresponde ao propósito pretendido para as Smart TVs da marca, e que a revisão dos apps já está em curso.

O que fazer se você tiver um desses apps instalado

Com as novas regras, aplicativos que mantiverem código de proxy residencial serão retirados das lojas da Samsung e da LG — o que deve removê-los automaticamente dos aparelhos ou impedir novas instalações.

A Mnemonic recomenda que quem já instalou algum app suspeito verifique as configurações de diagnóstico e uso de dados da TV, buscando por atividade de rede fora do comum, e desative opções de compartilhamento de dados nos ajustes do aparelho. Já a Spur sugere que os usuários façam uma limpeza geral nos aplicativos instalados, removendo jogos simples ou protetores de tela sem uso real — categorias onde o problema costuma se concentrar.

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