À frente do TSE (Tribunal Superior Eleitoral) desde maio, o ministro Kassio Nunes Marques tem enfrentado cobranças de colegas do Supremo Tribunal Federal (STF) em relação à sua condução da Corte Eleitoral, às vésperas das eleições presidenciais de 2026. Em meio a esse cenário, o magistrado voltou a reafirmar publicamente sua confiança no sistema eletrônico de votação brasileiro, classificando-o como um verdadeiro patrimônio da democracia do país.
Indicado ao STF por Jair Bolsonaro em 2020, Nunes Marques assumiu a presidência do TSE carregando expectativas de diferentes grupos políticos — de um lado, aliados do bolsonarismo; de outro, integrantes do governo Lula, que acompanham de perto suas decisões à frente da Justiça Eleitoral. Desde que tomou posse, o ministro já defendeu por diversas vezes a confiabilidade das urnas, repetindo que o modelo adotado pelo Brasil está entre os mais avançados do mundo em matéria de recepção, apuração e divulgação de votos.
A insistência do magistrado em reforçar esse discurso ganha peso justamente por vir de um ministro indicado pelo ex-presidente que, ao longo dos últimos anos, promoveu repetidos ataques às urnas eletrônicas sem nunca apresentar provas concretas de fraude — episódios que, inclusive, resultaram na condenação e na inelegibilidade de Bolsonaro pela própria Justiça Eleitoral.
Para Nunes Marques, o futuro da democracia brasileira não depende das máquinas em si, mas da vontade expressa pelos milhões de eleitores que depositam seu voto direto e secreto nas urnas. Segundo ele, cabe à Justiça Eleitoral seguir trabalhando para preservar, aprimorar e fortalecer continuamente a confiança da população nesse sistema — um desafio que se torna ainda mais relevante em um período marcado por desinformação e pela disseminação de conteúdos manipulados por inteligência artificial.