SpaceX prepara expansão histórica do Starship nos Estados Unidos


A SpaceX entrou em uma nova fase de crescimento para o programa Starship. A empresa de Elon Musk está ampliando sua infraestrutura de lançamento no Texas e na Flórida, além de ter anunciado um megaprojeto avaliado em cerca de US$ 100 bilhões na Louisiana. O objetivo por trás de toda essa movimentação é claro: aumentar drasticamente a frequência de voos do foguete, cobrindo desde a produção até a recuperação e reutilização dos veículos em diferentes pontos do país.

Novos pads na Flórida

No Centro Espacial Kennedy, a empresa avança na construção de um pad dedicado exclusivamente ao Starship dentro do histórico Complexo de Lançamento 39A, com conclusão prevista para o fim de 2026. A estrutura deve permitir tanto o lançamento quanto a recuperação dos foguetes, usando torres equipadas com braços mecânicos.

Outra frente de expansão está no Complexo de Lançamento 37, em Cabo Canaveral — área antes usada pelos foguetes Delta IV. O plano ali prevê dois pads orbitais e até duas torres de operação, o que poderia permitir até 76 lançamentos e pousos por ano nesse local, segundo estudos ambientais em análise. Somando tudo, a SpaceX pode chegar a quatro pads operacionais do Starship na Flórida até o fim de 2027.

A companhia também apresentou à Nasa uma proposta para um novo complexo, batizado de LC-49, dentro do próprio Centro Espacial Kennedy — projeto que a agência espacial confirmou estar avaliando desde julho. A ideia é aumentar a capacidade operacional da região sem prejudicar as missões que já usam o Falcon 9, o Falcon Heavy e a cápsula Dragon.

Para sustentar esse ritmo, a SpaceX está erguendo uma nova "Gigabay" na Flórida, estrutura destinada à integração e reforma dos foguetes Starship e Super Heavy, além de planejar uma fábrica local — inicialmente abastecida por veículos transportados de barcaça desde o Texas.

A megabase de US$ 100 bilhões na Louisiana


O projeto mais ambicioso da lista, no entanto, fica por conta da chamada Starbase Louisiana, em Vermilion Parish. Com uma área estimada em 125 mil acres, o investimento previsto gira em torno de US$ 100 bilhões.

Quando estiver totalmente concluída, a base deve contar com cinco áreas de lançamento, cada uma abrigando dois pads — totalizando dez pontos de lançamento. O complexo também incluirá estruturas para produção e armazenamento de propelentes, processamento de veículos, geração de energia e até moradias para os funcionários. Segundo o governo da Louisiana, o espaçoporto terá capacidade para suportar milhares de lançamentos por ano em sua configuração final.

As obras no local devem começar até o fim de 2027, com o primeiro lançamento previsto para 2029.

A meta ousada por trás da expansão

Toda essa infraestrutura está alinhada a um objetivo maior da SpaceX: transformar o Starship em um veículo totalmente reutilizável e com capacidade de voar com muito mais frequência do que atualmente. Isso é especialmente relevante para missões de longa distância, que dependem de lançamentos adicionais de "Starships-tanque" para reabastecimento em órbita.

Em maio, o administrador da Administração Federal de Aviação dos EUA (FAA), Bryan Bedford, revelou que a presidente da SpaceX, Gwynne Shotwell, estabeleceu uma meta ambiciosa: alcançar 10 mil lançamentos anuais dentro de cinco anos. Um número desse porte, no entanto, ainda depende da confiabilidade técnica dos foguetes e das aprovações regulatórias necessárias — o que torna a meta mais um horizonte a perseguir do que uma certeza no curto prazo.

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