Cne proíbe uso de ia para corrigir provas e redações nas escolas e universidades: veja as novas regras



 O Conselho Nacional de Educação (CNE), órgão vinculado ao Ministério da Educação (MEC), aprovou novas diretrizes para o uso de ferramentas de Inteligência Artificial nas instituições de ensino públicas e privadas do Brasil. A resolução estabelece limites estritos para a tecnologia no ambiente acadêmico, proibindo categoricamente que a IA seja utilizada de forma autônoma para corrigir redações, avaliar questões dissertativas ou atribuir notas a estudantes.

A orientação central do documento define que a inteligência artificial deve funcionar como suporte pedagógico, sem jamais substituir a mediação, a responsabilidade e o julgamento humano dos educadores.

O que muda com as novas diretrizes do CNE


O novo parâmetro regulatório abrange todos os níveis de ensino — da educação infantil à pós-graduação — e estabelece regras claras sobre o alcance e os limites da tecnologia na rotina escolar:

  • Fim da correção automatizada de provas: Sistemas de IA estão banidos de avaliar, pontuar ou corrigir redações e avaliações dissertativas. Em provas objetivas de múltipla escolha, o uso de software é permitido como suporte logístico, mas o resultado final requer validação humana.

  • Proibição de notas e retenções por algoritmos: Decisões que afetem o histórico escolar — como aprovação, reprovação ou atribuição de mérito acadêmico — não podem ser tomadas por processos automatizados. O docente não pode apenas chancelar o resultado do algoritmo sem efetiva análise pedagógica.

  • Uso restrito no Ensino Fundamental I: Alunos da Educação Infantil até o 5º ano do Ensino Fundamental não poderão utilizar ferramentas de IA de forma autônoma e sem supervisão direta dos educadores.

  • Detectores de IA não podem punir sozinhos: Relatórios de softwares que indicam que um texto foi gerado por inteligência artificial não constituem prova suficiente para penalizar, suspender ou zerar a nota de um estudante. A acusação de plágio ou uso indevido exige investigação e análise contextual por parte da instituição.

  • Inclusão no currículo: O ensino sobre o funcionamento da IA passa a integrar os conteúdos escolares, com foco em pensamento crítico, verificação de fontes, identificação de vieses algorítmicos e ética digital.

Proteção de dados e práticas proibidas


O pacote de regras também impõe limites rígidos quanto ao tratamento de informações pessoais dos alunos. Estão vetadas práticas como:

  1. Reconhecimento de emoções: Monitoramento facial para medir atenção ou estado emocional de alunos e professores.

  2. Sistemas de pontuação social ou comportamental: Perfilamento psicológico com fins classificatórios ou disciplinares.

  3. Exploração comercial: Uso de dados educacionais ou produção intelectual dos estudantes para direcionamento de anúncios ou treinamento de modelos de IA de terceiros sem respaldo legal.

Prazo de adequação

As vedações diretas impostas pelas diretrizes têm aplicação imediata em todo o país. Por sua vez, as redes de ensino, escolas e universidades terão um prazo de 12 meses para adaptar seus regimentos internos, contratos de fornecedores de tecnologia e políticas pedagógicas às determinações do CNE.


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