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A Apple apresentou nesta semana o iPhone Duo, seu primeiro celular com tela dobrável, durante um evento em Cupertino. No Brasil, o aparelho chegou custando a partir de R$ 21.999 na versão de entrada, com 256 GB, podendo passar de R$ 30.999 na configuração de 2 TB. Para efeito de comparação, nos Estados Unidos o mesmo modelo de entrada custa US$ 1.999 — bem menos da metade em conversão direta.
Essa diferença gigantesca não é exclusividade do Duo: ela se repete em praticamente todos os lançamentos da Apple no país. Entenda os principais motivos.
1. A "cascata" de impostos sobre produtos importados
O fator mais determinante é a estrutura tributária brasileira. Um smartphone que entra no país é alcançado por uma sequência de tributos que incidem uns sobre os outros, aumentando o efeito final:
- Imposto de Importação (II) — cobrado sobre o valor do produto vindo do exterior;
- IPI (Imposto sobre Produtos Industrializados);
- PIS e Cofins — contribuições federais;
- ICMS — imposto estadual, que varia conforme a unidade da federação.
O problema é que esses tributos não se somam de forma simples: o valor do Imposto de Importação entra na base de cálculo dos outros impostos, o que amplia o impacto total. Segundo estimativas do setor, a carga tributária total sobre um smartphone importado pode girar em torno de 60%, contra cerca de 37% para um aparelho fabricado localmente.
2. O iPhone Duo, especificamente, não é fabricado no Brasil
Parte da linha "comum" de iPhones é montada em fábricas no Brasil (como a da Foxconn em Jundiaí), o que reduz algumas alíquotas de importação. Mas, historicamente, os modelos mais avançados — como as linhas Pro e, agora, o próprio Duo, por ser um produto de estreia com tecnologia inédita — seguem sendo majoritariamente importados prontos ou dependem fortemente de componentes de fora (telas dobráveis, chips, câmeras), que já chegam taxados.
Mesmo quando um modelo é parcialmente produzido em solo nacional, isso não costuma se traduzir em queda relevante no preço final ao consumidor, já que boa parte da cadeia de suprimentos continua importada.
3. O câmbio (dólar) também pesa
A Apple define seus preços globalmente em dólar. Qualquer desvalorização do real frente à moeda americana encarece automaticamente o custo de importação, e esse impacto é repassado ao preço de tabela no Brasil.
4. Custos logísticos, marketing, assistência técnica e margem
Some-se a tudo isso:
- o custo de distribuir o produto por um país de dimensões continentais;
- investimentos em marketing e rede de assistência técnica autorizada;
- a margem de lucro da própria Apple e dos revendedores.
5. Um aumento recente no Imposto de Importação
Para piorar o cenário em 2026, o governo brasileiro elevou o Imposto de Importação para uma lista de mais de mil produtos, incluindo bens de informática e telecomunicações — categoria que inclui os smartphones —, com alta de cerca de 7,2 pontos percentuais na alíquota. A justificativa oficial foi proteger a produção nacional diante do crescimento das importações do setor, mas o efeito prático é pressionar ainda mais para cima o preço de aparelhos como o iPhone Duo.
Resumindo
| Imagem Por Yahoo Tech |
O preço salgado do iPhone Duo no Brasil não é um "capricho" da Apple, mas o resultado da combinação de:
- cascata de impostos federais e estaduais sobre produtos importados;
- dependência de componentes e, no caso do Duo, provavelmente do aparelho inteiro vindo de fora;
- câmbio desfavorável, já que os preços são fixados em dólar;
- custos logísticos e de operação em um mercado gigante e diverso como o brasileiro;
- um recente aumento nas alíquotas de importação para eletrônicos.
Enquanto essa equação tributária não muda, é provável que o Brasil continue figurando entre os países onde os lançamentos da Apple — e agora também o primeiro dobrável da marca — custam mais caro no mundo.