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Anthropic confirma equipe própria para projetar chips de inteligência artificial


A Anthropic confirmou nesta quarta-feira (5) que está formando uma equipe interna dedicada ao design de chips personalizados para rodar seus modelos Claude. É a primeira vez que a empresa reconhece publicamente esse esforço em hardware próprio.

O que a empresa disse

Segundo um porta-voz da companhia, o objetivo é co-desenvolver hardware e modelos em paralelo, permitindo que o Claude funcione de forma mais rápida e eficiente "na escala que os clientes da empresa precisam". A notícia foi apurada inicialmente pelo Business Insider e depois confirmada também à TechCrunch e à Reuters.

Apesar do novo movimento, a Anthropic fez questão de reforçar que vai manter uma "abordagem multi-chip": parcerias com AWS, Google, Nvidia e AMD continuam centrais em sua estratégia de infraestrutura. Ou seja, não se trata de um rompimento com os fornecedores atuais, mas de uma frente adicional.

Vagas revelam o tamanho da aposta

A formação do chamado "custom silicon team" ficou evidente por meio de vagas de emprego publicadas pela empresa, com salários que vão de US$ 320 mil a US$ 485 mil. As posições exigem candidatos com histórico comprovado de contribuição direta no design e lançamento de semicondutores reais — ou seja, gente que já colocou chip para rodar em produção antes.

A Anthropic não deu prazos para quando o esforço deve dar frutos, nem esclareceu se pretende cuidar da fabricação por conta própria. Segundo fontes do setor citadas pela Reuters, desenvolver um chip de IA avançado pode custar cerca de meio bilhão de dólares, considerando salários de engenharia especializada e os testes necessários para garantir uma fabricação sem defeitos.

Contexto: a corrida por silício próprio

A Anthropic entra em uma corrida que já reúne outras gigantes de IA:

  • A OpenAI revelou em junho o Jalapeño, um chip de inferência desenvolvido em parceria com a Broadcom.
  • A Meta trabalha nos aceleradores MTIA e planeja iniciar a produção do chip Iris em setembro, em parceria com Broadcom e TSMC.
  • O Google DeepMind já usa os TPUs da Alphabet como base para seus sistemas de IA.
  • A Mistral também sinalizou que estuda desenvolver silício próprio.

Reportagens anteriores da Reuters já indicavam que a Anthropic avaliava construir seus próprios chips, e, no mês passado, o site The Information revelou que a empresa mantinha conversas com a Samsung Electronics sobre uma possível parceria de fabricação.

Vale lembrar também que a Anthropic já possui um acordo de longo prazo com Google e Broadcom que garante acesso a cerca de 3,5 gigawatts de capacidade de TPUs personalizadas a partir de 2027 — o que mostra que a estratégia de hardware da empresa vem sendo construída em múltiplas frentes simultaneamente.

Por que isso importa

Depender exclusivamente de fornecedores externos de hardware está cada vez mais desafiador diante da demanda explosiva por capacidade computacional de IA. Ter uma equipe própria de design de silício permite à Anthropic:

  • Reduzir a dependência da Nvidia;
  • Ajustar o hardware às características específicas dos modelos Claude (como os mecanismos de atenção e as operações de multiplicação de matrizes usadas em arquiteturas transformer);
  • Buscar ganhos de custo-eficiência em inferência a longo prazo.

Por outro lado, o ciclo padrão de desenvolvimento de chips de IA costuma levar de três a cinco anos entre o conceito e a produção em massa — o que significa que um projeto iniciado agora dificilmente chegaria à produção antes de 2028. Isso torna o anúncio mais um sinal de intenção estratégica de longo prazo do que uma mudança imediata na infraestrutura da empresa.

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