A corrida espacial privada ganhou um novo marco. A startup chinesa Deep Blue Aerospace conseguiu realizar, com sucesso, o primeiro pouso vertical em terra firme do primeiro estágio do seu foguete Nebula-1. O feito histórico aproxima o país da tecnologia de reutilização de foguetes popularizada pela SpaceX nos Estados Unidos.
O teste ocorreu no Centro de Lançamento de Satélites de Jiuquan, no Deserto de Gobi. O foguete subiu a uma altitude de testes, desligou os motores principais para iniciar a descida controlada e acionou novamente o motor de querosene e oxigênio líquido para desacelerar com precisão, pousando suavemente sobre pernas de apoio na plataforma.
Por que esse teste é tão importante?
Corte drástico de custos: A capacidade de recuperar o propulsor (a parte mais cara e complexa de um foguete) e reutilizá-lo em novos lançamentos reduz drasticamente o custo por quilo de carga enviada ao espaço.
Aceleração do setor privado chinês: Até recentemente, apenas a americana SpaceX dominava o pouso vertical terrestre e em balsas oceânicas de forma operacional contínua com os foguetes Falcon 9. O sucesso do Nebula-1 prova a maturidade tecnológica das startups privadas chinesas.
Uso de combustível moderno: O Nebula-1 utiliza querosene e oxigênio líquido (kerolox), uma combinação eficiente e menos poluente que os combustíveis hipergólicos tradicionais utilizados em gerações anteriores de foguetes.
Da falha quase perfeita ao sucesso absoluto
O pouso bem-sucedido vem após um teste anterior em setembro de 2024 que quase atingiu o objetivo. Naquela ocasião, o protótipo completou 10 das 11 etapas planejadas, mas sofreu uma falha no ajuste final de altitude nos últimos segundos de descida, resultando em um impacto forte na plataforma.
A equipe da Deep Blue Aerospace analisou os dados de telemetria, corrigiu os algoritmos de orientação e os sistemas de controle de empuxo, alcançando agora a recuperação perfeita da estrutura.
O que vem pela frente?
Com o pouso demonstrado, a empresa planeja avançar rapidamente para os primeiros testes orbitais completos com o Nebula-1, visando oferecer serviços de lançamento de constelações de satélites comerciais a preços competitivos a partir dos próximos anos.