Eclipse deixa a Lua com tom avermelhado e chama atenção
Felipe Ferreira
Imagem Via rami_astro
Na madrugada desta quinta-feira (27) para sexta-feira (28), o céu brasileiro foi palco de um eclipse lunar parcial que tingiu a Lua de um tom avermelhado, atraindo a atenção de curiosos e astrônomos amadores em diversas regiões do país.
Por que a Lua fica vermelha
O fenômeno acontece porque a Terra se posiciona entre o Sol e a Lua, bloqueando parte da luz solar direta. Ainda assim, uma parcela da luz do Sol consegue atravessar a atmosfera terrestre antes de chegar à superfície lunar, e é justamente essa passagem pela atmosfera que produz a coloração avermelhada. O princípio é parecido com o que deixa o céu vermelho no nascer e no pôr do sol: a luz solar precisa cruzar uma camada maior de atmosfera, que espalha as cores mais frias e deixa passar principalmente os tons avermelhados.
Segundo dados de veículos especializados em ciência, o evento teve um índice de cobertura de cerca de 96% do disco lunar, com magnitude próxima de 0,93 — uma medida que indica o quanto o eclipse chegou perto de ser total. Apesar da aparência avermelhada, o fenômeno não chegou a configurar uma "Lua de Sangue" no sentido estrito, termo popular reservado aos eclipses lunares totais, já que uma pequena fração da Lua permaneceu fora da sombra mais escura da Terra e continuou recebendo luz solar direta.
Horários e visibilidade
De acordo com astrônomos ouvidos pela imprensa, o eclipse teve início por volta das 23h34 e se encerrou perto das 2h51. Outras fontes apontam um começo ainda mais cedo, já às 22h23, quando a Lua entrou na região mais externa da sombra da Terra, conhecida como penumbra.
O evento pôde ser acompanhado a olho nu em qualquer ponto do país, sem necessidade de filtros ou equipamentos de proteção — diferentemente do que ocorre nos eclipses solares. A recomendação de especialistas era buscar locais com boa visibilidade do céu e o mínimo possível de poluição luminosa das cidades.
A intensidade do vermelho, porém, varia de cidade para cidade: a quantidade de poeira, fumaça, poluição e umidade presentes na atmosfera local interfere na aparência da Lua, e um céu limpo tende a favorecer uma visão mais nítida e mais avermelhada do fenômeno.
Um evento que mobiliza a comunidade científica
Imagem Via rami_astro
Eclipses lunares costumam reunir grupos de astronomia amadora em diferentes cidades brasileiras, que aproveitam a data para organizar sessões públicas de observação com telescópios. Esse tipo de iniciativa é comum sempre que o fenômeno ocorre, reforçando seu caráter educativo: mais do que um espetáculo visual, o eclipse funciona como porta de entrada para o interesse por astronomia e física, especialmente entre crianças e jovens.
Para quem perdeu a chance de observar o fenômeno desta vez, a boa notícia é que eclipses lunares não são raros — o próximo evento visível a partir do Brasil deve voltar a movimentar o céu e as redes sociais pelo país.