Uma nova classe de modelos de Inteligência Artificial generativa, treinados em bibliotecas genômicas de milhões de organismos, demonstrou capacidade de projetar genomas completos de vírus totalmente novos, que não existem na natureza. A descoberta, impulsionada pelo avanço das IAs voltadas à biologia sintética, promete revolucionar a medicina no desenvolvimento de terapias genéticas e tratamentos direcionados contra bactérias resistentes, mas também levanta preocupações severas de segurança global.
Diferente da IA tradicional aplicada à saúde — que apenas analisa estruturas existentes —, os novos agentes de IA Generativa Biológica aplicam o mesmo princípio de modelos de linguagem como o ChatGPT, mas substituem palavras por sequências de bases nitrogenadas (A, T, C, G). O resultado são códigos genéticos funcionais capazes de instruir células a sintetizar novos capsídeos e partículas virais em laboratório.
Apesar das enormes oportunidades para a criação de novos medicamentos, pesquisadores e órgãos internacionais alertam para o risco do uso de modelos de linguagem biológicos (BLMs) por atores mal-intencionados para a criação de patógenos sintéticos e potenciais armas biológicas. Em resposta, consórcios globais e governos já debatem a implementação de travas de segurança rígidas, como o monitoramento da venda de síntese de DNA e a auditoria obrigatória dos algoritmos de biotecnologia.