A NASA decidiu encerrar oficialmente os planos para tentar resgatar ou reelevar a órbita do Swift (Neil Gehrels Swift Observatory), um dos seus observatórios espaciais mais importantes na caça a explosões de raios gama e eventos cósmicos violentos. Sem a intervenção, a agência espacial norte-americana confirmou que a espaçonave perderá altitude gradualmente até se desintegrar na atmosfera terrestre ainda em 2026.
A decisão coloca fim a meses de estudos de viabilidade técnica que avaliavam se valia a pena enviar uma missão comercial privada para acoplar no Swift e empurrá-lo para uma órbita mais alta e segura.
Por que a NASA desistiu do resgate?
Análise de Custo-Benefício: O Swift está em operação desde 2004 — mais de duas décadas no espaço —, e vários de seus componentes vitais, como giroscópios e instrumentos científicos, já mostram sinais avançados de desgaste.
Riscos Técnicos Elevados: Acoplar uma espaçonave de resgate em um satélite antigo que não foi projetado originalmente para ser capturado no espaço envolvia altos riscos operacionais, que não justificavam o alto investimento financeiro necessário.
Aumento do Arrasto Atmosférico: Com o pico do ciclo de atividade solar, a atmosfera superior da Terra se expandiu, aumentando o atrito sobre o telescópio e acelerando vertiginosamente sua perda de altitude nos últimos meses.
O legado do Swift na astronomia
Lançado há mais de 20 anos, o Swift foi um divisor de águas no estudo dos fenômenos mais energéticos do universo. Equipado com três telescópios que cobrem desde os raios gama até a luz visível, a missão se destacou por sua incrível agilidade: o observatório era capaz de girar e apontar para qualquer ponto do céu em questão de segundos assim que detectava uma explosão de raios gama (GRB).
Ao longo de duas décadas, o Swift ajudou os cientistas a entenderem a formação de buracos negros de massa estelar, a colisão de estrelas de nêutrons e o nascimento de supernovas distantes.
Como e quando será a queda?
A entrada do observatório na atmosfera será não controlada, mas a NASA ressalta que o risco de detritos atingirem áreas habitadas é extremamente baixo. A maior parte da estrutura do telescópio deverá ser completamente queimada pelo atrito e pelo calor intenso durante a reentrada na atmosfera terrestre ao longo dos próximos meses de 2026.