Telescópio Roman decola neste domingo rumo ao ponto L2, a 1,5 milhão de km da Terra


O Telescópio Espacial Nancy Grace Roman, da Nasa, tem lançamento marcado para este domingo (30), às 7h26 no horário de Brasília, a bordo de um foguete Falcon Heavy da SpaceX. A decolagem acontece do histórico Complexo de Lançamento 39A, no Centro Espacial Kennedy, na Flórida, com uma janela de apenas 30 segundos — caso algo impeça o lançamento no horário previsto, há uma data reserva na segunda-feira (31), às 7h22.

A missão recebeu sinal verde depois que Nasa e SpaceX concluíram, na sexta-feira (28), a revisão final de prontidão para o lançamento. No sábado (29), o foguete já havia sido deslocado até a plataforma de lançamento, etapa que costuma anteceder em poucas horas a decolagem.

Diferente de satélites em órbita baixa, o Roman não vai girar ao redor da Terra: seu destino é o ponto de Lagrange 2 (L2), uma região de equilíbrio gravitacional situada a cerca de 1,5 milhão de quilômetros do planeta — o mesmo local onde opera o telescópio James Webb. Dali, o observatório terá uma visão ampla e praticamente ininterrupta do céu.

Tecnicamente, o Roman carrega um espelho principal de 2,4 metros, do mesmo tamanho do espelho do Hubble, mas seu instrumento de campo amplo usa uma matriz de 18 detectores infravermelhos de altíssima precisão, formando um plano focal de mais de 300 megapixels. Na prática, isso significa um campo de visão pelo menos 100 vezes maior que o do Hubble a cada exposição — o suficiente para fotografar grandes porções do céu de uma só vez, em vez de recortes pequenos.

Essa amplitude é o que deve tornar o Roman uma ferramenta poderosa para dois tipos de investigação: o mapeamento de cerca de um bilhão de galáxias, ajudando a entender a evolução da estrutura cósmica e a natureza da energia escura e da matéria escura; e a caça a exoplanetas por meio de microlentes gravitacionais, técnica que deve permitir a descoberta de mais de mil novos mundos fora do Sistema Solar. O telescópio também carrega o instrumento Coronagraph, dedicado a observações de alto contraste para estudar exoplanetas próximos com mais detalhe.

A missão tem duração primária prevista de cinco anos, com possibilidade de extensão por mais cinco. Se o cronograma for cumprido, o lançamento chega cerca de oito meses antes do previsto originalmente, que era "o mais tardar maio de 2027" — um adiantamento raro para um projeto dessa complexidade. Ainda assim, os primeiros resultados científicos vão demorar: os meses seguintes ao lançamento serão dedicados à viagem até L2, à abertura dos componentes do telescópio e ao comissionamento dos instrumentos, com as primeiras imagens só esperadas para o início de 2027.

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