Antes de ter seu nome gravado num dos telescópios mais avançados já construídos, Nancy Grace Roman abriu caminho para toda uma geração de observatórios espaciais. Formada em Astronomia pelo Swarthmore College em 1946 e doutora pela Universidade de Chicago em 1949, ela passou pelo Observatório Yerkes e pelo Laboratório de Pesquisa Naval dos Estados Unidos antes de ingressar na Nasa, em 1959.
Na agência, tornou-se a primeira mulher a ocupar um cargo executivo e a primeira chefe de Astronomia da instituição. Entre 1961 e 1963, também respondeu pela área de Astronomia e Física Solar, além de atuar em relatividade e planejamento científico — supervisionando ainda o desenvolvimento de satélites como as três missões Orbiting Solar Observatory e participando de experimentos ligados aos programas Gemini, Apollo, Skylab e Spacelab.
O apelido de "mãe do Hubble" vem justamente dessa fase. Roman defendia que observar o universo de fora da atmosfera terrestre traria dados muito mais precisos, livres das distorções causadas pela absorção e turbulência do ar. Foi ela quem articulou cientificamente o projeto do telescópio espacial, ajudou a planejar a missão e convenceu a Nasa e o Congresso americano a bancar o investimento — um trabalho decisivo para que o Hubble saísse do papel, ainda que ela não tenha sido a única responsável por sua construção.
Agora, seu legado ganha um capítulo novo: o Telescópio Espacial Nancy Grace Roman, com lançamento previsto para este domingo (30), carrega seu nome como uma das principais missões astronômicas da nova geração, ao lado do James Webb. O equipamento tem espelho primário de 2,4 metros e câmera principal de 300,8 megapixels, capaz de captar tanto luz visível quanto infravermelho próximo — um campo de visão cerca de 100 vezes maior que o do Hubble.
Entre seus instrumentos está o Coronagraph, projetado para observações de alto contraste voltadas ao estudo de exoplanetas próximos. Os principais objetivos da missão incluem detectar novos exoplanetas por microlentes gravitacionais e investigar tanto a evolução da estrutura cósmica quanto a natureza da energia escura — um dos maiores mistérios ainda em aberto na astronomia.