| Imagem: Uol |
Continuando com robôs chineses, tem recorde que a gente demora décadas pra ver ser quebrado. O de Usain Bolt nos 100 metros, por exemplo, resiste desde 2009 — quase duas décadas de velocistas tentando chegar perto e nenhum conseguindo. Pois bem: quem finalmente superou a marca não foi um humano. Foi um robô.
O responsável se chama Lightning, foi desenvolvido pela Honor — sim, aquela fabricante de smartphones chinesa — e completou os 100 metros em 9,32 segundos durante um teste em Pequim, encostando numa velocidade máxima de 14,5 metros por segundo. Pra efeito de comparação: o recorde histórico de Bolt, cravado em Berlim em 2009, era de 9,58 segundos. Uma diferença pequena no papel, mas gigantesca quando o assunto é limite humano versus máquina.
E não foi só isso
Se você acha que foi coincidência ou sorte de um único teste, vale lembrar que esse não é o primeiro feito do Lightning. Em abril deste ano, o mesmo robô já tinha vencido a meia maratona de Pequim — 21 quilômetros — em 50 minutos e 26 segundos, um ritmo que também superou o recorde mundial da elite humana adulta na distância.
Na época da maratona, o Lightning tinha 1,69 m de altura e pernas de 95 cm. De lá pra cá, os engenheiros literalmente esticaram o robô: as pernas passaram a medir 1,05 metro, um upgrade feito de olho nos Jogos Mundiais de Robôs Humanoides, que começaram justamente neste sábado em Pequim.
| CNN Brasil |
Por que a China está apostando tão pesado nisso
Esse tipo de feito não acontece isolado. A China vem tratando robótica humanoide como setor estratégico há um bom tempo — o raciocínio por trás é que os avanços combinados de inteligência artificial e hardware vão acelerar a chegada desses robôs pra manufatura, logística e até uso doméstico num futuro não tão distante. Recordes esportivos como esse funcionam quase como vitrine: uma forma de mostrar, de forma bem visual e viral, o quanto essa tecnologia amadureceu.
Vale comparar humano com máquina?
Aqui entra o ponto que sempre gera debate quando esse tipo de notícia sai: comparar um robô correndo com um atleta humano é, no fundo, meio injusto pros dois lados. Bolt correu sob regras, fadiga muscular, física do corpo humano e décadas de treino. O Lightning não sente cansaço, não tem limite biológico de força e pode ser recalibrado sempre que a engenharia permitir. São, na prática, dois tipos de "recorde" completamente diferentes — mas isso não torna o feito menos impressionante como demonstração de até onde a robótica chegou.
De qualquer forma, fica a curiosidade: se hoje um robô já corre mais rápido que o homem mais veloz da história, o que vem a seguir? Salto em distância? Natação? A corrida (literalmente) só está começando.