A busca por respostas sobre a chamada formação de Durupınar, no leste da Turquia, entrou em uma fase decisiva em 2026. Depois de anos de levantamentos remotos, a equipe internacional que investiga o local passou, pela primeira vez, a extrair material físico do subsolo — e os primeiros resultados já estão gerando debate entre pesquisadores.
| Imagem por: noahsarkscans.com |
Da imagem aérea ao laboratório
A estrutura, com cerca de 157 metros de comprimento e formato que lembra o casco de um barco, fica perto de Doğubayazıt, na província de Ağrı, e ficou conhecida mundialmente depois que o capitão do Exército turco İlhan Durupınar identificou seu contorno incomum em fotos aéreas de 1959.
Décadas de hipóteses concorrentes — indo de explicações puramente geológicas a associações com o relato bíblico da Arca de Noé — nunca haviam sido testadas com amostras retiradas diretamente das camadas profundas do terreno. Isso mudou neste ano.
Um projeto internacional e com múltiplas frentes de trabalho
A campanha de 2026 é descrita como a maior expedição científica já autorizada no local, liderada pelo professor Cenker Atila, da Universidade Sivas Cumhuriyet, com apoio do reitor da instituição, Ahmet Şengönül, e reuniu a equipe internacional por cerca de 90 dias de trabalho de campo na região. A parte de radar do projeto foi conduzida por Khosrow Bakhtar, enquanto Andrew Jones, fundador da organização Noah's Ark Scans, ficou à frente da articulação internacional em campo.
Ao longo da temporada, a equipe recolheu fragmentos de cerâmica e cerca de mil amostras de solo em diferentes pontos do sítio. Parte desse material já foi embalada, etiquetada e enviada para um laboratório em Ancara para análise.
Radar aponta anomalias, mas cautela permanece
Os levantamentos geofísicos continuam no centro da investigação. Radares de penetração no solo identificaram estruturas subterrâneas interpretadas pela equipe como possíveis corredores e formas angulares, embora os próprios pesquisadores reconheçam que essas imagens, isoladamente, não permitem concluir se as formas têm origem humana ou natural.
Um dado que chamou atenção veio da composição química do solo: testes preliminares apontaram cerca de 40% mais carbono nas amostras retiradas do que a equipe considera o interior da formação, em comparação com material coletado fora dela. Segundo o professor Atila, essa diferença pode estar associada à presença de matéria orgânica, incluindo possivelmente madeira.
Perfuração revela pista inesperada
A etapa de perfuração trouxe um dos momentos mais comentados da temporada. A equipe informou que a broca usada na perfuração se rompeu ao atingir o que pode ser uma camada de madeira petrificada — um indício que, embora não comprove nada por si só, reforça o interesse dos pesquisadores em aprofundar a investigação.
Para explorar cavidades acessíveis abaixo da superfície, o projeto também recorreu a um robô batizado de "Gopher": o equipamento foi projetado para ser inserido pelas aberturas perfuradas e inspecionar espaços subterrâneos que os instrumentos de superfície não alcançam. De acordo com atualizações recentes, o dispositivo já alcançou cerca de 12 metros de profundidade em uma de suas missões por um dos furos abertos nesta temporada.
O que vem a seguir
Atila afirmou que o trabalho laboratorial sobre as amostras atuais deve produzir resultados mais claros dentro de dois a três meses, enquanto a investigação mais ampla segue em ritmo mais lento. A Universidade Sivas Cumhuriyet planeja publicar as descobertas do primeiro ano em um volume chamado "Durupınar Formation 2026 Research", com o programa de pesquisa devendo se estender até 2027.
Apesar do entusiasmo de parte da equipe, cientistas independentes continuam céticos: estudos geológicos anteriores, incluindo escavações realizadas nos anos 1990, já haviam levantado dúvidas sobre a hipótese de que a formação fosse mesmo uma embarcação, apontando explicações naturais ligadas a deslizamentos e deformações de rochas na região. Até agora, nenhum resultado publicado confirma de forma conclusiva qualquer uma das duas hipóteses — e é justamente essa lacuna que os próximos meses de análise laboratorial devem tentar preencher.
Enviar um comentário