Se você trabalha com tecnologia, prepara o café que a notícia é boa: o orçamento de TI das empresas mundo afora vai bombar em 2026. A Gartner, aquela consultoria que vive medindo o pulso do setor, projeta um salto de quase 11% nos gastos globais com tecnologia da informação, batendo a casa dos US$ 6 trilhões só nessa fatia "tradicional" (hardware, software, serviços, sistemas).
E adivinha quem tá puxando essa fila? Os data centers. A previsão é de crescimento de mais de 30% nos investimentos, ultrapassando meio trilhão de dólares até o fim do ano — um reflexo direto de quanta estrutura física é preciso construir pra sustentar toda essa onda de IA. Logo atrás vem o software, que também deve crescer com força, girando na casa do trilhão e meio de dólares em compras e licenças.
Mas o verdadeiro protagonista dessa história nem entra na conta "tradicional" de TI. A inteligência artificial, sozinha, deve movimentar algo perto de US$ 2,5 trilhões neste ano — um crescimento expressivo frente a 2025 — com projeção de ultrapassar os US$ 3 trilhões já em 2027. E a maior parte desse dinheiro vai pra infraestrutura: os servidores, chips e sistemas que rodam os modelos de linguagem por trás de tudo isso.
Não é mais só "automatizar mais rápido"
Um executivo da McKinsey ouvido pela reportagem original resume bem o clima: o mercado começa a entender que IA não é apenas acelerar processos que já existiam, é reinventar o próprio jeito de fazer negócio. A consultoria fez uma pesquisa com quase 2 mil líderes em mais de cem países (Brasil incluso) e encontrou um dado interessante — a maioria das empresas já usa IA no dia a dia, mas só uma parte delas realmente trata isso como algo revolucionário, e não apenas como mais uma ferramenta de produtividade.
Quem já colocou a mão na massa....
A reportagem trouxe alguns cases reais que valem menção:
- Uma grande empresa de cosméticos brasileira já trata a IA como frente estratégica, espalhada por logística, operações e vendas — e afirma ter retorno financeiro relevante sobre cada real investido.
- Um grupo educacional com milhares de funcionários vem usando parte do orçamento de TI pra treinar a alta liderança em IA, com meta de alcançar toda a diretoria até o fim do ano.
- E até negócios menores estão entrando pesado: uma plataforma de logística para pequenas empresas vai injetar milhões a mais em nuvem, dados e IA em 2026, e já usa um agente de atendimento automatizado que resolve a maioria das demandas sozinho, sem intervenção humana.
O recado é claro: 2026 é o ano em que a IA deixa de ser "aquele projeto piloto" e vira linha de investimento séria no orçamento das empresas — de gigante multinacional a negócio pequeno. E os data centers, que sustentam tudo isso por trás das cortinas, viraram peça central dessa engrenagem.
Matéria originalmente publicada pelo Jornal O Sul, com base em informações do Valor Econômico.