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Google pode virar sócio grande da Marvell? E tudo isso é sobre chips


Mais um capítulo da corrida bilionária por chips de inteligência artificial saiu do forno nesta quarta-feira (19 de agosto de 2026). A fabricante de semicondutores Marvell Technology fechou um acordo ampliado com o Google para ajudar a desenvolver chips personalizados, e como parte do negócio, deu à gigante de buscas o direito de comprar uma fatia de até US$ 12,2 bilhões em ações da própria Marvell. A notícia fez as ações da empresa dispararem no pregão, com alta que chegou a passar de 12%.

Como funciona esse "direito de compra"

Não é uma doação nem uma compra fechada — é o que o mercado chama de warrant, uma espécie de opção de compra futura. Pelos termos do acordo, divulgado em documento regulatório, o Google recebeu o direito de comprar até 58,97 milhões de ações da Marvell, pagando US$ 206,58 por ação. Se exercer tudo isso, o Google desembolsaria os tais US$ 12,2 bilhões — e passaria a ser o quinto maior investidor da Marvell, segundo dados da LSEG.

Só que esse direito não vem de graça nem é automático. Cerca de 1,4 milhão dessas ações ficam disponíveis já no primeiro ano do acordo. O resto vai sendo liberado aos poucos, em lotes, toda vez que o Google fechar mais US$ 500 milhões em compras de chips da Marvell — e essas metas de compra se estendem até o ano fiscal de 2033. Ou seja: quanto mais chip o Google comprar, maior fatia da empresa ele pode acabar tendo.

E o que a Marvell vai fabricar, afinal?

O acordo não é sobre os processadores principais do Google, mas sim sobre as peças ao redor deles — o que já é um mercado gigantesco no mundo da IA. A parceria cobre múltiplos programas de silício customizado ligados ao ecossistema das TPUs do Google (as Tensor Processing Units, os chips que sustentam boa parte da infraestrutura de inteligência artificial da empresa), incluindo aceleradores de inferência de IA e controladores de armazenamento e de rede.

Se o Google bater todas as metas de compra combinadas, o negócio pode render à Marvel algo em torno de US$ 120 bilhões em vendas de chips customizados até 2033 — um número gigantesco mesmo para os padrões já inflacionados do setor de IA.

Isso tira o espaço da Broadcom?

Aqui está o plot twist do dia: até agora, a Broadcom era a principal parceira do Google no desenvolvimento das TPUs, com um acordo de longo prazo fechado em abril deste ano que vai até 2031. Com a entrada forte da Marvell nessa jogada, o mercado reagiu na hora — as ações da Marvell subiram, enquanto as da Broadcom caíram mais de 5% no mesmo pregão, sinal de que os investidores enxergam isso como o Google diversificando fornecedores (e potencialmente reduzindo a dependência de um só parceiro). Vale dizer que isso não significa necessariamente que a Broadcom está sendo substituída — mas mostra que o Google está espalhando as apostas entre mais players do setor de silício.

E O panorama por trás disso tudo

Esse acordo não é um caso isolado. Ele acontece poucas semanas depois de as gigantes de tecnologia reforçarem que devem gastar mais de US$ 700 bilhões em infraestrutura de IA só neste ano — um salto e tanto comparado aos cerca de US$ 400 bilhões do ano passado. Ou seja: Google, Microsoft, Amazon e companhia estão em uma corrida acelerada para garantir capacidade de processamento de IA, e cada vez mais isso significa investir diretamente nos próprios fornecedores de chip, e não só comprar deles.

Para o Google, apostar em ações da própria Marvell é uma forma de amarrar o fornecedor ao próprio crescimento: quanto mais IA o Google processa, mais chip compra, mais fatia da Marvell ele acumula — e, em teoria, mais garantido fica o abastecimento de peças essenciais numa cadeia de suprimentos que anda sob pressão.

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