Pera, deixa eu te contar o que rolou no mercado de smartphones aqui na região. Segundo levantamento da Counterpoint Research, as vendas de celular na América Latina caíram 10% na comparação anual no segundo trimestre de 2026 — a pior queda desde o terceiro trimestre de 2023, quando o pós-pandemia detonou o setor com estoque encalhado e recessão. E o vilão da vez? Falta de memória (RAM e armazenamento), que tá encarecendo tudo e travando a produção.
Só que nem tudo é lama nesse cenário. Enquanto quase todo mundo apanhou, Samsung e Apple foram na contramão e ainda cresceram.
Samsung segurando o rojão
A sul-coreana continua mandando de longe na região, e o trimestre foi de crescimento de 6% na comparação anual — isso à custa de Motorola, Xiaomi e Honor, que perderam terreno. A marca reassumiu a ponta em Colômbia, Equador e Peru, fechando com 38% de participação em toda a América Latina. A receita por trás disso: bastante aparelho disponível (principalmente linha A e linha S), forte presença tanto em loja física quanto online, e descontos pesados pra segurar cliente.
Apple também surfando
A maçã também subiu, com alta de 5% nos embarques. O pulo do gato foi a decisão de absorver o aumento de preço em vez de repassar pro consumidor, somado à demanda firme pelo iPhone 17 Pro Max. O iPhone 17e, lançado no final de março, também vem ganhando embalo, enquanto os modelos mais antigos ainda seguram vendas. No segmento premium (acima de US$ 600), a Apple é praticamente sozinha na liderança, com 51% de fatia, e a Samsung é a única concorrente relevante por ali, com uns 40%.
E o resto do pessoal?
Motorola, Xiaomi e Honor foram os que mais sentiram o baque, perdendo espaço pra Samsung e Apple num mercado que como um todo tá encolhendo.
E Isso vai continuar?
Pelo visto, sim — pelo menos por um tempo. A escassez de memória e a pressão nos preços devem continuar pesando no segundo semestre de 2026, com sinais de melhora só a partir de 2028. Segundo relatório da própria Counterpoint, quem vai ditar o ritmo do mercado nos próximos 18 a 24 meses não é bem a demanda do consumidor, mas sim essa dinâmica de oferta e preço de memória mesmo.