O celular "à prova de Google" da Motorola vai custar caro pra caramba

Imagem meramente ilustrativa


Se você é do time que sonha em ter um celular sem nenhum tentáculo do Google nele, prepara o bolso: a parceria entre Motorola e GrapheneOS já tem previsão de chegada, e o preço não vai ser dos mais simpáticos.

A GrapheneOS Foundation, empresa por trás do sistema operacional mais paranóico com privacidade que existe no mercado Android, confirmou que os primeiros aparelhos feitos junto com a Motorola chegam só em 2027. E o detalhe que mais chamou atenção: vão ser modelos top de linha, com specs ainda mais avançadas que a atual geração Pixel do Google — só que custando mais caro que ela.

Pra quem não conhece, o Pixel 11 já não é barato: nos EUA, os preços vão de US$ 900 a US$ 1.300, o que dá pra ter uma ideia de onde essa Motorola "premium desgooglificada" deve mirar.

Mas afinal, o que é esse tal GrapheneOS?

Pensa num Android sem absolutamente nada do Google embutido — nada de Gmail, Drive, Fotos, nem aquele Google Play Services que fica rodando escondido em segundo plano. É basicamente o AOSP (a base aberta do Android) só que turbinado com uma camada gigante de segurança: correção rápida de falhas críticas, controle refinado de permissões, opção de desativar apps do sistema e até uma senha alternativa que apaga todos os dados do aparelho se for digitada — recurso que, aliás, já rendeu problema pra um usuário nos EUA, que teve o celular limpo durante uma abordagem policial e agora responde por destruição de provas.



Por que só o topo de linha primeiro?

Segundo a própria fundação, a explicação passa pela Qualcomm. Só os chips Snapdragon mais recentes e mais caros trazem os recursos de segurança necessários pra rodar o sistema direito, com atualizações de longo prazo. Aparelhos intermediários e de entrada vão demorar mais pra entrar na jogada — e a Motorola ainda vai precisar pagar mais pra Qualcomm garantir suporte prolongado nesses modelos mais baratos.

Isso, aliás, é coerente com o discurso do próprio presidente da Motorola, Sérgio Buniac, que já disse publicamente que "atualização não é necessariamente algo bom" — segundo ele, empilhar updates em celulares de entrada às vezes só serve pra derrubar o desempenho do aparelho, e não pra melhorá-lo.

Vale a pena esperar?

Pra quem só quer um celular rápido no dia a dia, provavelmente não é o produto certo. Mas pra quem vive de olho em privacidade e segurança, a promessa é forte: hardware de ponta, unido a um sistema que hoje só a linha Pixel consegue rodar oficialmente com pleno suporte. Só que, como quase tudo que promete blindagem total, vai vir com etiqueta de preço à altura.


Matéria com base em reportagem original do Tecnoblog, com informações do Ars Technica, obrigado.

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