A Apple acabou de fechar um acordo com o Bundeskartellamt, o órgão antitruste da Alemanha, que deve mudar a cara de um dos recursos mais conhecidos do iPhone: o App Tracking Transparency (ATT), aquela telinha que pergunta se você quer ou não ser rastreado por um app.
Qual era o problema?
Desde 2022 os alemães vinham de olho nesse recurso. A desconfiança era simples: os avisos que apareciam quando um app de terceiros pedia permissão para rastrear o usuário eram bem diferentes — e, segundo o regulador, mais "assustadores" — do que qualquer coisa parecida dentro dos próprios apps da Apple. Ou seja, a empresa estaria jogando pesado contra a concorrência enquanto se dava um tratamento mais suave.
O argumento é conhecido: se o aviso para apps de fora é mais dramático e o da própria Apple nem existe direito, o usuário tende a recusar o rastreamento de terceiros com muito mais frequência — o que na prática empurra a publicidade (e os dados) para dentro do próprio ecossistema da Apple.
O que muda na prática
Depois de mais de três anos de queda de braço, a Apple topou alinhar a redação, o visual e o conteúdo dos avisos, deixando o processo de consentimento mais parecido entre apps próprios e de terceiros. O presidente do Bundeskartellamt, Andreas Mundt, resumiu o resultado dizendo que a Apple pode sim oferecer um nível de proteção acima do mínimo exigido por lei — só que agora de um jeito mais equilibrado.
Com isso, o órgão alemão considerou o caso encerrado: as promessas da Apple viraram compromissos vinculantes, não é mais só uma promessa no ar.
E não fica só na Alemanha. Segundo apuração da Reuters, a companhia sinalizou que essas mudanças devem valer para praticamente toda a União Europeia — embora ainda não tenha detalhado país por país como isso vai rolar.
Por que isso é maior do que parece
Essa história não nasceu ontem. A França já tinha multado a Apple em 150 milhões de euros por causa do ATT, e a Itália também aplicou sua própria multa, de quase 100 milhões de euros. A diferença agora é que o acerto com os alemães tende a servir de modelo para o resto do bloco europeu, meio que destravando o imbróglio que se arrastava em vários países ao mesmo tempo.
Vale lembrar que tudo isso acontece dentro de um contexto bem mais amplo de atrito entre a Apple e a Europa, puxado pelo Digital Markets Act — a lei que já forçou a empresa a abrir espaço para lojas de apps alternativas, outros métodos de pagamento e navegadores de terceiros no iPhone. O ATT era mais uma frente dessa disputa, e agora parece ter encontrado um meio-termo.
No fim das contas, quem usa iPhone na Europa deve continuar vendo a telinha de "permitir rastreamento" quando abre um app novo — só que, a partir de agora, com menos diferença de tratamento entre o que é da Apple e o que não é.